Em resumo: a taxa bruta dos Certificados de Aforro (série F) para novas subscrições em outubro de 2026 é 2,500 %, divulgada pelo IGCP a 30 de setembro (IGCP). É o máximo que a série permite: a taxa base segue a Euribor a 3 meses, mas não pode passar de 2,50 %. Depois do IRS de 28 % ficam 1,8 % líquidos. A partir do 2.º ano somam-se prémios de permanência, de 0,25 a 1,75 pontos, até ao fim dos 15 anos. Subscreve-se a partir de 100 € nos CTT, nos Espaços Cidadão, no BiG ou no AforroNet, e pode resgatar a partir do primeiro vencimento de juros, aos 3 meses.
Este artigo faz parte do guia dos Certificados de Aforro e do Tesouro. Atualizamos a taxa no início de cada mês. Não tem ligações pagas: os certificados compram-se diretamente ao Estado.
O que são os Certificados de Aforro
São dívida pública vendida a retalho: empresta dinheiro ao Estado português e recebe juros de três em três meses, que ficam a capitalizar. Só pessoas singulares podem subscrever, cada pessoa só pode ter uma conta aforro e os certificados não se transmitem, exceto por morte (ficha técnica do IGCP).
A série que está à venda é a série F, criada pela Portaria 149-A/2023, de 2 de junho. As séries anteriores (A, B, C, D e E) continuam a render para quem as tem, com as regras de cada uma, mas já não se subscrevem.
A taxa de outubro de 2026 e como se calcula
A taxa de juro de cada subscrição é a taxa base em vigor no início de cada trimestre mais o prémio de permanência a que a subscrição já tem direito.
A taxa base é fixada pelo IGCP todos os meses, no antepenúltimo dia útil, para vigorar no mês seguinte. É a média da Euribor a 3 meses nos 10 dias úteis anteriores, arredondada à terceira casa decimal, com um teto de 2,50 % e um mínimo de 0 %. Em outubro de 2026 a taxa base ficou no teto de 2,50 %: a média da Euribor a 3 meses que lhe serve de base ultrapassou esse valor.
| Bruto | Líquido (IRS 28 %) | |
|---|---|---|
| Taxa base de outubro de 2026 | 2,500 % | 1,80 % |
A taxa de uma subscrição muda a cada trimestre: aplica-se a taxa base em vigor no mês em que o trimestre começa. Se a Euribor descer abaixo de 2,5 %, a taxa base desce com ela; se subir, fica nos 2,5 %.
Prémios de permanência: o que ganha por ficar
Os prémios acrescem à taxa base e dependem do ano em que a subscrição está:
| Anos da subscrição | Prémio | Taxa bruta total, se a base ficar em 2,5 % |
|---|---|---|
| 1.º ano | 0 | 2,50 % |
| 2.º ao 5.º ano | +0,25 pontos | 2,75 % |
| 6.º ao 9.º ano | +0,50 pontos | 3,00 % |
| 10.º e 11.º ano | +1,00 ponto | 3,50 % |
| 12.º e 13.º ano | +1,50 pontos | 4,00 % |
| 14.º e 15.º ano | +1,75 pontos | 4,25 % |
A terceira coluna é uma hipótese (a taxa base pode descer), mas mostra a lógica da série F: paga pouco a quem entra e sai, e cada vez mais a quem fica.
Quanto rendem 10 000 € em Certificados de Aforro
Exemplo (hipotético): a Teresa, no Porto, subscreve 10 000 € em outubro de 2026. Os juros são trimestrais e capitalizam líquidos de IRS, por isso a conta faz-se por trimestre: 2,5 % ÷ 4 = 0,625 % brutos, ou 0,45 % líquidos.
| Momento | Taxa bruta usada | Valor acumulado | Ganho líquido |
|---|---|---|---|
| 1.º trimestre | 2,50 % | 10 045,00 € | 45,00 € |
| Fim do 1.º ano | 2,50 % | 10 181,22 € | 181,22 € |
| Fim do 2.º ano | 2,75 % | 10 384,31 € | 384,31 € |
| Fim do 5.º ano | 2,75 % | 11 018,21 € | 1 018,21 € |
| Fim dos 15 anos | 2,50 % a 4,25 % | 14 215,31 € | 4 215,31 € |
As contas assumem que a taxa base fica sempre em 2,5 %, o que ninguém garante: se a Euribor descer, o rendimento desce. No 1.º ano, 10 000 € rendem 181,22 € líquidos; para comparar com um depósito a prazo, que paga tudo no fim e não capitaliza, veja a comparação com os depósitos, mais abaixo.
Condições: mínimos, máximos, prazo e resgate
| Série F | |
|---|---|
| Valor de cada certificado | 1 € |
| Mínimo por subscrição | 10 unidades (10 €) |
| Mínimo na conta aforro | 100 unidades (100 €) |
| Máximo por conta aforro | 250 000 unidades (250 000 €); 500 000 somando certificados da série E |
| Prazo | 15 anos, com reembolso automático no 15.º aniversário |
| Juros | Trimestrais, capitalizados líquidos de IRS |
| Resgate antecipado | Total ou parcial, a partir do 1.º vencimento de juros (3 meses); o dinheiro é creditado até ao 7.º dia no IBAN da conta |
| Titulares | Só pessoas singulares; uma conta aforro por pessoa |
O resgate antecipado devolve o valor nominal e os juros capitalizados até à data, sem penalização sobre o capital. Só não pode resgatar nos primeiros 3 meses.
Onde e como subscrever
Pode subscrever nos balcões dos CTT, nos Espaços Cidadão, nos canais digitais do Banco de Investimento Global (BiG) e, se já for aderente, no AforroNet, o serviço online do IGCP. Para abrir a conta aforro precisa de documento de identificação, NIF e um IBAN em seu nome, para onde vão os reembolsos.
Quem já tem conta aforro pode reforçar a partir de 10 € de cada vez. Um plano simples: uma subscrição por mês, no dia do ordenado. Cada subscrição conta o seu próprio prazo e os seus prémios.
Impostos
Os juros pagam 28 % de IRS por retenção na fonte (CIRS, art. 71.º), como os depósitos. O IGCP retém o imposto a cada vencimento trimestral e capitaliza o valor líquido; não tem de declarar nada, a não ser que opte pelo englobamento. Nos Açores e na Madeira a retenção pode ser diferente; o simulador de taxas do IGCP tem essa opção.
Certificados de Aforro ou depósito a prazo?
Em outubro de 2026, vários dos melhores depósitos a prazo (taxas lidas nos sites dos bancos a 10/10/2026) pagam mais do que 2,5 % em prazos curtos, mas quase sempre com condições: cliente novo, dinheiro novo, montante máximo, um por cliente. Os certificados pagam 2,5 % sem condições, com resgate a partir dos 3 meses e prémios que crescem com o tempo. Para o dinheiro que não vai precisar nos próximos anos, a série F tem a vantagem dos prémios a partir do 2.º ano (tabela acima); para 3 a 6 meses, um depósito de campanha pode render mais. O guia dos depósitos a prazo explica as regras do outro lado.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa dos Certificados de Aforro em outubro de 2026?
2,500 % brutos para novas subscrições da série F, o máximo da série. Líquidos de IRS, 1,8 %. A taxa foi divulgada pelo IGCP a 30 de setembro de 2026.
A taxa dos Certificados de Aforro pode descer?
Pode. A taxa base é recalculada todos os meses a partir da Euribor a 3 meses, com teto de 2,5 % e mínimo de 0 %. A taxa da sua subscrição muda a cada trimestre.
Posso levantar o dinheiro quando quiser?
A partir do primeiro vencimento de juros, 3 meses depois da subscrição, pode resgatar tudo ou parte, sem perder capital. O dinheiro entra na conta até ao 7.º dia.
Qual é o mínimo para subscrever Certificados de Aforro?
100 € na primeira subscrição (mínimo de 100 unidades por conta aforro) e 10 € nos reforços seguintes. O máximo é 250 000 € por conta.
Os Certificados de Aforro são seguros?
São dívida da República Portuguesa, não depósitos bancários: não estão no Fundo de Garantia de Depósitos, mas são uma obrigação direta do Estado. O capital é devolvido pelo valor nominal no resgate ou no fim dos 15 anos.
Os juros pagam IRS?
Sim, 28 %, retidos na fonte pelo IGCP a cada trimestre. Só os juros líquidos capitalizam.
Ver também: Política editorial · Certificados de Aforro e do Tesouro · Depósitos a prazo · Fundo de emergência: onde guardar
Fontes verificadas
| Número / facto | Fonte | Verificado em |
|---|---|---|
| «A taxa de juro bruta para novas subscrições de Certificados de Aforro, Série F, em outubro de 2026 foi fixada em 2,500%»; informação de 30/09/2026 | IGCP, notícia «Taxas de Juro dos Certificados de Aforro … em outubro 2026» | 2026-10-10 |
| Série F criada pela Portaria 149-A/2023, de 2 de junho; taxa base: média da Euribor a 3 meses nos 10 dias úteis anteriores, fixada no antepenúltimo dia útil, teto 2,50 % e mínimo 0 %; prémios de 0,25 (2.º–5.º ano), 0,50 (6.º–9.º), 1,00 (10.º–11.º), 1,50 (12.º–13.º) e 1,75 (14.º–15.º); 1 € por unidade; mínimo 10 unidades por subscrição e 100 por conta; máximo 250 000 (500 000 com série E); 15 anos; juros trimestrais capitalizados líquidos; resgate a partir do 1.º vencimento, crédito até ao 7.º dia; só pessoas singulares, uma conta por pessoa; subscrição nos CTT, Espaços Cidadão, BiG e AforroNet | IGCP, ficha técnica da Série F | 2026-10-10 |
| «A taxa base não poderá ser superior a 2,50%, nem inferior a 0%» (condições de subscrição) | AforroNet, condições de subscrição da Série F | 2026-10-10 |
| IRS de 28 % sobre juros | CIRS, art. 71.º, n.º 1 | 2026-10-10 |
| Exemplo da Teresa (45,00 €, 181,22 €, 384,31 €, 1 018,21 € e 4 215,31 €) e taxas totais por ano | Cálculo nosso: capitalização trimestral de 72 % da taxa bruta, com a base fixa em 2,5 % | 2026-10-10 |
Notas de verificação: a taxa de outubro foi lida na notícia oficial do IGCP de 30/09/2026; o simulador de taxas do IGCP não devolveu resultado nesta revisão. Não lemos a cotação da Euribor a 3 meses: a afirmação de que a sua média ultrapassou 2,5 % decorre de a taxa base estar no teto. As séries anteriores têm fichas próprias no site do IGCP e não foram verificadas aqui.