Em resumo: a conta à ordem é a conta do dia a dia: recebe o ordenado, paga com cartão e faz transferências. Em geral rende pouco ou nada e algumas cobram comissão de manutenção. Para evitar essa comissão, há contas sem comissões e a conta de serviços mínimos bancários, que por lei custa no máximo 5,37 € por ano em 2026 (Banco de Portugal). Para o dinheiro parado render, existem as contas remuneradas. Nos bancos autorizados, os depósitos estão protegidos até 100 000 € por depositante e por banco.
Os três tipos de conta
| Conta à ordem | Conta remunerada / poupança | Conta de serviços mínimos bancários | |
|---|---|---|---|
| Para quê | Ordenado, pagamentos, cartão | Guardar dinheiro com juros, disponível | Dia a dia ao custo mínimo |
| Juros | Em geral baixos ou nulos | Variáveis, definidos pelo banco | Conforme o preçário (o pacote SMB não inclui juros) |
| Custo | Depende do banco (pode ter comissão de manutenção) | Normalmente sem custo, mas pode exigir conta à ordem associada | Máximo de 5,37 €/ano em 2026 |
| Limites | Cada banco define as suas condições | Às vezes juros só até um certo saldo | Só pode ter uma conta à ordem (com exceções) |
Conta à ordem: o que pagar e o que não pagar
A conta à ordem é a porta de entrada para tudo no banco. O que custa depende sobretudo de três coisas:
- Comissão de manutenção: a mensalidade da conta. Muitos bancos isentam-na se domiciliar o ordenado ou tiver um saldo mínimo. Leia as condições da isenção, não só o preço.
- Cartão de débito: alguns cobram anuidade.
- Transferências: online são muitas vezes gratuitas; ao balcão costumam ser pagas.
Para comparar comissões de vários bancos, o Banco de Portugal tem um comparador de comissões no Portal do Cliente Bancário. É a forma mais rápida de ver quanto cobra cada banco pelo mesmo pacote de serviços.
Antes de abrir uma conta, o banco tem de lhe entregar a Ficha de Informação Normalizada (FIN), com todas as características e custos. Peça-a e leia a parte das comissões.
Transferências pequenas em apps: o que é grátis
Qualquer cliente bancário pode fazer em aplicações de pagamento até 25 transferências por mês sem custos, desde que cada uma não passe de 30 € e o total do mês não passe de 150 € (material do Banco de Portugal sobre serviços mínimos bancários). Para dividir o jantar ou pagar a renda de um quarto, raramente vai pagar.
Serviços mínimos bancários: a conta de 5,37 € por ano
Os serviços mínimos bancários (SMB) são uma conta à ordem com os serviços essenciais e um custo máximo fixado por lei: todas as comissões juntas não podem passar de 1 % do Indexante dos Apoios Sociais (IAS) por ano. Em 2026, o IAS é de 537,13 € (Portaria n.º 480-A/2025/1), por isso o máximo é 5,37 € por ano. Há bancos que não cobram nada.
O que inclui:
- abertura e manutenção da conta à ordem;
- cartão de débito (pagamentos em lojas e multibanco na União Europeia);
- homebanking e débitos diretos;
- transferências dentro do mesmo banco sem limite;
- transferências para outros bancos sem limite nas caixas automáticas e até 48 por ano no homebanking ou na app;
- mais 5 transferências por mês até 30 € cada em aplicações de pagamento de terceiros, além das 25 que todos os clientes têm.
Quem pode ter: qualquer pessoa singular que não tenha outra conta à ordem, neste ou noutro banco. Não há limite de rendimento nem de saldo. As exceções:
- quem tem outras contas pode ser contitular de uma conta SMB com uma pessoa com mais de 65 anos ou com incapacidade igual ou superior a 60 % que não tenha outras contas;
- quem foi avisado de que a sua conta vai ser encerrada pode pedir uma conta SMB.
Como pedir: pode abrir uma conta SMB no banco que escolher ou pedir a conversão da conta que já tem. Terá de assinar uma declaração de que não tem outra conta à ordem. Para a manter, basta fazer pelo menos uma operação a cada 24 meses.
O que não tem: a conta SMB não pode ter descoberto autorizado. Pode ter depósitos a prazo e outros produtos, pagos pelo preçário normal.
Exemplo (hipotético): a Marta, reformada em Setúbal
A Marta paga 6 € por mês de manutenção de conta: 72 € por ano. Recebe a pensão, paga a luz por débito direto e levanta dinheiro no multibanco. Não tem outras contas. Se converter a conta em SMB no mesmo banco, paga no máximo 5,37 € por ano. Poupa cerca de 67 € por ano, sem mudar de banco nem de IBAN.
Contas remuneradas: pôr o dinheiro parado a render
Uma conta remunerada paga juros sobre o saldo e deixa o dinheiro disponível a qualquer momento. Muita gente usa-a para o fundo de emergência: o dinheiro para o carro que avaria ou o mês sem ordenado.
O que muda de conta para conta:
- Taxa (TANB) e se é promocional: muitas taxas altas são só para novos clientes e durante alguns meses.
- Limite de saldo: a taxa pode aplicar-se só até um certo montante.
- Pagamento de juros: diário, mensal ou anual.
- Imposto: os juros pagam 28 % de IRS (CIRS, art. 71.º). Num banco português, é retido na fonte.
As taxas destas contas seguem as do Banco Central Europeu, que tem a taxa de depósito em 2,50 % desde 16 de setembro de 2026 (BCE). Quando o BCE mexe, os bancos costumam ajustar as taxas destas contas.
As taxas deste mês, banco a banco e com fonte, estão em contas remuneradas: taxas de outubro de 2026. Se não vai precisar do dinheiro durante meses, um depósito a prazo pode pagar mais.
Bancos digitais e contas de outros países da UE
Bancos digitais como a N26 N26, a Revolut Revolut ou a bunq bunq abrem conta pela app em minutos. Para pagamentos noutras moedas, a Wise Wise oferece uma conta multimoeda. Antes de abrir, confirme:
- De que país é a licença bancária. A garantia de 100 000 € é a do país do banco.
- O IBAN. Se o IBAN não começa por PT, confirme antes que a entidade patronal e os fornecedores (luz, telemóvel) aceitam esse IBAN para o ordenado e os débitos diretos.
- O imposto sobre os juros. Um banco estrangeiro pode não reter os 28 %; nesse caso, cabe-lhe a si declarar os juros no IRS.
- O apoio ao cliente em caso de bloqueio da conta: chat, telefone, em que língua.
Que conta faz sentido para quê
Esta tabela mostra critérios gerais, não é uma recomendação para o seu caso.
| Situação | O que costuma comparar-se |
|---|---|
| Recebe ordenado ou pensão e faz poucos movimentos | Conta sem comissões ou serviços mínimos bancários |
| Tem poupança que pode precisar a qualquer momento | Conta remunerada (fundo de emergência) |
| Tem poupança que não vai usar durante 6 meses ou mais | Depósito a prazo |
| Poupa para a reforma e quer benefício no IRS | Ver o que é um PPR |
| Viaja ou recebe em outras moedas | Conta multimoeda, além da conta principal |
A escolha depende da sua situação e das condições de cada banco no momento.
Segurança: a garantia de 100 000 €
Os depósitos à ordem e a prazo estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100 000 € por depositante e por banco (material do Banco de Portugal; Diretiva 2014/49/UE, art. 6.º). Se o banco falir, o dinheiro tem de ser devolvido em sete dias úteis.
Só bancos, caixas económicas e caixas de crédito agrícola autorizados pelo Banco de Portugal (ou pelo supervisor do seu país, no caso de bancos europeus) podem receber depósitos. Uma «carteira» numa app que não é banco pode não ter esta proteção.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre conta à ordem e conta a prazo?
Na conta à ordem o dinheiro está sempre disponível e quase não rende. No depósito a prazo fica aplicado durante um tempo combinado e rende juros. Explicamos em detalhe no guia dos depósitos a prazo.
Quanto custa a conta de serviços mínimos bancários em 2026?
No máximo 5,37 € por ano, todas as comissões incluídas: 1 % do IAS de 537,13 €. Alguns bancos não cobram nada.
Posso ter conta de serviços mínimos e outra conta?
Em regra não: tem de ser a sua única conta à ordem. A exceção é a contitularidade com uma pessoa com mais de 65 anos ou com incapacidade igual ou superior a 60 % sem outras contas.
Uma conta remunerada é segura?
Se for num banco autorizado, o saldo está coberto pela garantia de depósitos até 100 000 €. O risco é a taxa mudar, não o capital.
Os juros da conta remunerada pagam IRS?
Sim, 28 % de taxa liberatória. Num banco português o imposto é retido automaticamente.
Como deixo de pagar comissão de manutenção?
Três caminhos: cumprir as condições de isenção do seu banco (ordenado, saldo), mudar para uma conta sem comissões, ou converter a conta em serviços mínimos bancários, se for a sua única conta.
Artigos deste guia
- Contas remuneradas: taxas de outubro de 2026
- Depósitos a prazo: guia completo e melhores depósitos a prazo do mês
- Em breve: conta à ordem remunerada, conta sem comissões, conta à ordem ou depósito a prazo, como abrir conta online e serviços mínimos bancários em detalhe.
Ver também: Política editorial · Como nos financiamos
Fontes verificadas
| Número / facto | Fonte | Verificado em |
|---|---|---|
| SMB: limite anual de comissões = 1 % do IAS; máximo de 5,37 €/ano em 2026; serviços incluídos (48 transferências/ano por homebanking, 5/mês até 30 € em apps); condições de acesso (conta única, exceções 65 anos / 60 % de incapacidade, aviso de encerramento); 1 operação a cada 24 meses; sem descoberto; comparador de comissões no Portal do Cliente Bancário; FIN | Banco de Portugal / Todos Contam, «Serviços mínimos bancários» (PDF) | 2026-10-10 |
| Até 25 transferências/mês grátis em apps, até 30 € cada e 150 €/mês, para todos os clientes | idem | 2026-10-10 |
| IAS 2026 = 537,13 € (Portaria n.º 480-A/2025/1, DR n.º 250/2025, 30/12/2025, art. 2.º) | Reprodução oficial da Portaria (Governo Regional da Madeira) | 2026-10-10 |
| Garantia de 100 000 € por depositante e por banco; cobre depósitos à ordem e a prazo | Banco de Portugal / Todos Contam, «Depósitos a prazo» (PDF) | 2026-10-10 |
| Cobertura de 100 000 €; reembolso em 7 dias úteis | Diretiva 2014/49/UE, arts. 6.º e 8.º | 2026-10-10 |
| Juros: taxa liberatória de 28 % | CIRS, art. 71.º, n.º 1 | 2026-10-10 |
| Taxa de depósito do BCE: 2,50 % desde 16/09/2026 | BCE | 2026-10-10 |
| Exemplo da Marta (72 € − 5,37 € ≈ 67 €) | Cálculo nosso, com comissão hipotética de 6 €/mês | 2026-10-10 |
Notas de verificação: o Portal do Cliente Bancário bloqueou o acesso automático na verificação (Cloudflare), por isso o comparador de comissões é referido sem link direto; a sua existência está confirmada no material do Banco de Portugal acima.